Pensamentos de uma solitária madrugada
Olá!
Depois de tanto tempo sem aparecer por aqui, vamos falar um pouco sobre nada, já que é tudo o que tenho aqui. E não, não é loucura minha, infelizmente é a mais pura realidade!Já que esse blog virou uma espécie de diário pessoal, vou escrever sobre algumas coisas que tenho em mente neste momento. Uma delas é essa estranha relação que nós temos com o amor romântico e a solidão, que apesar de aparentemente serem diferentes (quem dirá, quase antagônicas), são bastante similares, se vermos de um outro ângulo.
Para isso, vou pedir uma ajudinha a dois velhos amigos, que são grandes poetas. O primeiro deles é Luís de Camões:
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
E o segundo deles é Cazuza:Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
você diz: já foi
Eu concordo contigo
você sai de perto
Eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta
com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
para poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas, perfeitas.
Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
você diz: já foi
Eu concordo contigo
você sai de perto
Eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta
com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meus sonhos que você não crê, não crê.
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
bem no ultimo instante...
***
Eu queria ver no escuro do mundo
Onde está tudo o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pelos teu gosto teu rosto tudo
Tudo que não me deixa em paz
Quais são as cores e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei,
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Agora você deve estar pensando: "O que diabos Camões e Cazuza tem a ver com isso?". Bem, te respondo, ou melhor, eles te respondem.Da mesma forma que o amor nos traz certeza do que queremos, ele nos traz medo, insegurança de perder. E muitas vezes ele atua dessa forma sem percebermos: quem nunca parou para imaginar se ele ou ela estava pensando em você, ou que em determinado momento sentiu que existiam apenas os dois no mundo, ou ainda quem nunca se sentiu abandonada/o depois de uma discussão fervorosa, que atire a primeira pedra!Mas da mesma forma que fere, ele cura, e vice-versa. Imagine viver e não amar alguém? E imagine amar alguém e não ser correspondido? Poderá ter milhões de pessoas a sua volta que nada lhe fará companhia, e ironicamente dentre esse tanto de gente pode estar o seu par, o "seu amor".Em minha humilde opinião, acho que independentemente da posição que estivermos, jamais poderemos deixar nosso coração fechado, ainda que isso nos custe dores e decepções. É claro que depois de nos ferirmos com alguns espinhos tendemos a olhar só pra dor que nos foi causada, e nos sentirmos sozinhos, como se ninguém no mundo pudesse nos entender de fato. Perfeitamente normal, mas como saber se a tese é verídica? Como saber se irei me decepcionar, ser abandonado se nem ao menos experimentar (para a maioria, mais uma vez) o amor? É preciso, entretanto, saber dos riscos que se corre: em algum momento você se sentirá sozinho, mesmo acompanhado. Vale mesmo a pena? Ou esta antagonia anda funcionando de forma errada? Você quer viver sozinho com sua solidão, ou deseja partilhá-la com alguém e possivelmente ganhar alguns (ou muitos) trocados de afeto? Buy the risks, man!
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